Caminho de Santiago Português Central (Por Braga)

Itinerários como o “Da costa” ou o “central”, privilegiando a passagem pelo eixo Rates-Barcelos-Ponte de Lima, converteram-se ao longo dos séculos nos mais concorridos pelos peregrinos que, por território português, rumavam para Compostela. Todavia, numa fase inicial o principal caminho utilizado por aqueles que se queriam abeirar do sepulcro do apóstolo Santiago passava por Braga, um dos importantes polos de irradiação do catolicismo na Península Ibérica.

O caminho Primordial

A rede viária medieval foi herdeira, e não deixou de o aproveitar, do importante legado deixado pelo Império Romano. Uma impressionante rede de estradas, num vasto espaço de livre (na conceção da época) circulação de pessoas e bens, fora aliás uma das razões do sucesso e longa duração do Império.
Não admira por isso que aquela que foi a mais importante via romana no noroeste peninsular, Via XVI, que ligava Olissipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga), daí prosseguindo para Astúrica Augusta (Astorga) pela Via XVIII (Via Nova ou Geira), tivesse continuado a desempenhar um relevante papel nos transportes e comunicações durante a Idade Média. Ora, se a este factos somarmos a circunstância de Braga, a antiga capital da província romana da Galécia e posterior de do reino suévico, ter sido segundo a tradição a primeira cidade peninsular a converter-se ao cristianismo (e daí o seu bispo ser o “Primaz”, o primeiro, das Espanhas), percebe-se também a importância que desde muito cedo assumiu como grande centro católico peninsular. Centro esse cujo primeiro bispo, S. Pedro de Rates, fora ordenado pelo próprio apóstolo Santiago.
A estes factos outros se somavam para que fosse, igualmente, um importante centro congregador de peregrinações. Entre eles destacava-se a existência na cidade de um conjunto notável de relíquias de santos de origem peninsular, nomeadamente Santa Susana, S. Cucufate e S. Frutuoso.
Motivo, por si só, para aqui atrair grande número de romeiros ou a passagem de muitos outros que, embora se dirigissem para Compostela, faziam questão de passar igualmente pela cidade para aqui cultuar estes afamados santos. A “ concorrência” entre as relíquias de Braga e as de Santiago, que deveremos entender no contexto da disputa entre estas duas cidades como os mais importantes santuários e centros católicos do norte peninsular e na respectiva afirmação do reino da Galiza e do condado Portucalense, terminará no início do século XVII quando, o bispo de Compostela, Diego Gelmires, roubou as relíquias de Braga, desse modo, o início de um rápido apagamento da antiga capital romana como destino e grande centro de peregrinação.
A partir de Braga o peregrino medieval que prosseguisse a sua caminhada em direcção ao sepulcro do Apóstolo tinha duas alternativas: ou abandonava aquela antiga via romana e rumava em direcção ao litoral seguindo para Ponte de Lima, ou permanecia na via que prosseguia para norte e se dirigia para Astorga. Tal percurso, bem mais duro e difícil, mas que hoje permite ao caminheiro belos e aprazíveis troços, ao cruzar o Parque Nacional da Peneda-Gerês através da emblemática “Geira Romana” e da estratégica Portela do Homem, com uma das mais notáveis concentrações de marcos miliários nas estradas do Império, acaba por encontrar, já perto de Ourense, o Caminho Via da Plata.
Percurso primordial, porque, primeiro, do caminho português para Compostela, o itinerário por Braga está igualmente associado a um conjunto notável de marcas patrimoniais, marcos históricos e memórias identitárias. Grande parte delas serão desvendadas durante o caminho.
Bom caminho!

A marcação do caminho

Naturalmente, uma das grandes preocupações de quem vai fazer uma viagem, seja ela qual for, é saber qual o caminho para chegar ao seu destino.
Ora, raramente no ponto de origem há uma indicação do local de destino… Em Bencatel não há nenhuma seta a dizer Amareleja, na Trofa não há nenhuma seta a dizer Lisboa e, obviamente, nem no Porto ou em Braga não há uma seta a dizer Santiago de Compostela.
Nas estradas nacionais basta seguir as indicações rodoviárias, mas aqui o caso é bastante diferente.
No caso concreto do Caminho Português Central por Braga, que tem início no Porto, com passagem na cidade de Braga, com passagem em grandes cidades e ao mesmo tempos por zonas florestais e campos, preocupa-nos de facto a sinalização e, mais ainda, a ausência dela. Perder não é seguramente um dos nossos objectivos mais importantes!
Para além dos mapas, dos guias e dos GPS que cada peregrino pode levar consigo, a grande ajuda que o peregrino encontra ao longo do caminho serão as marcações no terreno.

Inicialmente, o caminho era assinalado pela Vieira de Santiago (Concha de Santiago) que se apresenta sob a forma de elementos de bronze, de cerâmica, de etiquetas, de gravuras. Sendo o sentido a seguir indicado pelos “dedos” da vieira, ou seja, o lado aberto da concha indica a direcção de Santiago de Compostela.

Existe em algumas comunidades de Espanha que a vieira na marcação do Caminho em que os “dedos” não é o que indica o caminho, mas sim a parte redonda da vieira e o Caminho até Finisterra – o fim do caminho (Fim da Terra) a vieira está pontada para baixo.

Depois, por várias razões, a concha deixou de ser eficaz em termos de sinalização do caminho. Devido à tendência dos peregrinos levarem estes objectos como “recuerdo”, eles foram desaparecendo a pouco e pouco. Por outro lado, depois de o Caminho de Santiago ter sido classificado como Itinerário Cultural do Conselho da Europa, a concha estilizada amarela sobre fundo azul foi assumida como símbolo identificador europeu do Caminho de Santiago. Assim, a concha passou a ter carácter de logótipo oficial, identificando apenas a presença do Caminho de Santiago. Deste modo, este logótipo mantém sempre a mesma posição, deixando agora de indicar qualquer direcção. Esta situação veio causar alguma confusão entre os peregrinos menos avisados, uma vez que os “dedos” da concha podem agora indicar uma direcção bastante diferente daquela que é a verdadeira direcção do Caminho de Santiago.

Atenção a situações como a que agora se apresenta e que podem induzir o peregrino a seguir uma direcção errada.

As “Flechas Amarillas” principal sinalização do actual Caminho de Santiago, começaram a ser pintadas em 1980 pelo Padre ElíasValiñaSanpedro, Pároco do Cebreiro, a primeira localidade galega do Caminho Francês. Desde então foram-se espalhando por todos os caminhos e actualmente é o meio mais seguro de seguir o Caminho de Santiago sem grandes preocupações.
A razão porque as setas são amarelas e não de outra cor tem também uma explicação… mas não pensem já em grandes simbolismos! São amarelas apenas porque começaram por ser pintadas com o resto da tinta de marcação de umas obras na estrada, que os trabalhadores ofereceram ao Padre Elías.
O Caminho Português Central por Braga começou a ser recuperado em 1992 e actualmente está marcado desde Lisboa e de forma bastante completa no troço final Porto-Ponte de Lima-Valença do Minho. Em território espanhol a sinalização é ainda mais completa e eficiente.
A sinalização dos Caminhos Portugueses de Santiago tem sido feita recorrendo ao sistema convencionado para toda a Europa para identificar de forma simples os itinerários jacobeus e que é a seta amarela pintada em muros, paredes, pavimentos, árvores, postes, etc, em todos os locais onde pudessem ocorrer dúvidas, particularmente nos cruzamentos e bifurcações.

Recentemente os municípios português por onde passa o Caminho Português Central, seja ele o da Costa, Central ou Central por Braga, já se encontra afixadas as setas metálicas em amarelo, com a nova sinalética do Itinerário Cultural do Conselho da Europa.

Para além da sinalização oficial, encontramos por vezes marcações provisórias, feitas pelos peregrinos, quando há problemas com a sinalização existente (mau tempo, azulejos roubados, a vegetação cresceu por cima das marcas).

No território galego, foram substituídos por uma solução definitiva com marcos de pedra com a distância à Catedral de Santiago, incluindo um azulejo azul com uma vieira amarela posicionada de acordo com o sentido da marcha ou, noutros casos, apenas o mesmo azulejo colado em paredes e muros.

Uma chamada de atenção para as setas azuis que poderão aparecer (que normalmente apontam o sentido contrário) e que são a indicação do Caminho de Fátima, nomeadamente para orientação dos Peregrinos que de Santiago de Compostela se dirigem a Fátima.

Outro tipo de sianlização que poderemos encontrar são as marcações dos Caminhos de GrandRandonnée (GR), de acordo com o estabelecido pela Federação Francesa de Randonneur (FFR), que em Portugal se designam por Grande Rota e que são percursos pedestres definidos no nosso país pela Federação Portuguesa de Campismo (FPC).

Ao longo do Caminho Português de Santiago, este tipo de sinalização, pode encontrar-se pelomenos entre Rates e Barcelos e entre Ponte de Lima e Valença. É a indicação da GR11-E9, um itinerário que tem origem em S. Petersburgo, na Rússia, atravessa toda a Europa e termina em Portugal na casa de S. Vicente.
Chamamos à atenção para o facto de que os itinerários compostelanos nem sempre são GR e que nem todas as GR são caminhos para Compostela. A GR11-E9 não corresponde integralmente ao traçado do Caminho Português, pois apresenta algumas alternativas pontuais aos troços originais do Caminho de Santiago.
A marcação pode encontrar-se sob a forma de traços pintados sobre árvores, pedras, muros ou de marcações auto-adesivas sobre postes ou ainda sob a forma pequenos painéis acompanhados de textos.
Esta sinalização é constituída por dois traços, um vermelho e um branco, e funciona como se pode ver na imagem apresentada.

No caso das Pequenas Rotas (PR) o traço branco passa a ser amarelo mas a nomenclatura da sinalização é a mesma.
Com toda esta informação, pensamos que não haverá grandes problemas para darmos com o caminho certo, mas se restarem dúvidas só temos que perguntar a alguém… pelo Caminho de Santiago todos o peregrinos são irmãos e amigos!

Vá lá Malta… sigamos “las Flechas Amarillas”!


Introdução História A Origem das Peregrinações Caminho de Santiago Português Central (Por Braga)

- Etapas -

Caminho Português Central pela Via Romana XVI (Porto - Braga) Caminho Português Central por Braga (Porto - Braga) Caminho Português Central (Braga - Ponte de Lima - Santiago Compostela) Caminho de Celanova (Braga -Santiago Compostela) Caminho da Geira Romana ou Via XVIII e Arrieiros (Braga -Santiago Compostela)